1-12-1998. Análise da semana de 23 a 29 de Novembro de 1998 do Serviço Analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA
A ESQUERDA ABERTZALE APROVA A SUA HISTÓRICA VIRAGEM TÁCTICO-ESTRATÉGICA. emocionante e grandiosa manifestaçom em bilbau em defesa dos direitos dos prisioneiros bascos. Arzallus aposta por governar com Euskal Herritarrok. O "efeito Cossiga". Espanhóis bestiais continuam a torturam bascas e bascos. NOme e data anunciados do diário que substituirá o EGIN.
PERGUNTA: O quê é hoje um jornalista espanhol "DEMOCRÁTICO" de 45 ou 50 ou mais anos de idade?
RESPOSTA: Em 90, quiçá 95 ou 98 de cada 100 casos é UM FASCISTA MAL RECICLADO.
Lembre-se: Na Espanha NOM HOUBO juízos de Nuremberg. Na Espanha NOM SE JULGOU os criminais de guerra. Os juízes criminosos de guerra continuárom a julgar. Na Espanha ocupa o trono el-rei que Franco nomeou. El-rei que jurou os Proncípios do fascista Movimento espanhol submisso ao ditador que o chefiava: Francisco Franco. Franco: um golpista de estado, um assassino, um genocida.
E os jornalistas fascistas passárom, em 24 horas, dos braços das suas musas nazis a estrearem os seus novos papéis, os seus novos rois, as suas novas personalidades "democráticas".
Esses jornalistas espanhóis fascistas mal reciclados dissimulam. Fingem ser "democratas de toda a vida". Mutárom/lavárom as suas biografias como os criminosos lavam o sangue das suas facas.
Mas delatam-se quando falam de Euskal Herria. Surgem entom o seu sectarismo e o seu ódio ao povo que tanto luitou contra a ditadura de Franco. Ao povo cujos gudáris figérom voar o Almirante, o suplente do genocida.
E brilha o fascista costume de mentir desses jornalistas. A sua fascista mania de ocultarem e falsificarem a realidade.
Mentem por exemplo sobre o fracasso militar de ETA. Ocultando ao povo espanhol que NUNCA em toda a sua história de Espanha um inimigo matou tantos oficiais e almirantes como os que matou ETA.
Há umhas noites, um destes fascistas chamado Fernando Jaruregui delatou-se numha das tertúlias radiofónicas espanholas que som o equivalentes espanhol ao JORNALISMO DE GUERRA de Rosa de Tokio ou das emissoras alemás nazis na Segunda Grande Guerra.
Esse fascista prognosticou polos microfones de Rádio Nacional de Espanha que seriam muito poucos os bascos que saíssem à rua para se manifestarem em defesa dos direitos dos e das militantes de ETA que estám prisioneiros nos cárceres espanhóis.
Umha manifestaçom apoiada polos sindicatos assinantes do Acordo de Lizarra que constituem a folgada maioria absoluta sindical basca (ELA, LAB, ESK-CUISS, STEE-EILAS, EHNE, Hiru) e pola ampla gama de movimentos sociais também assinantes desse Acordo.
Fum propositadamente prolixo ao citar os apoios prévios à manifestaçom (embora nom completo, houvo muitos mais) para salientar a quem me leia o facto POLÍTICO E SOCIOLÓGICO decisivo que a manifestaçom exprimia. Antes mesmo de a manifestaçom principiar a reunir-se a gente no ponto de partida.
Esse facto POLÍTICO E SOCIOLÓGICO consiste em que É UMHA EVIDENTE E MUITO FOLGADA MAIORIA ABSOLUTA da populaçom basca a que reclama que o Governo espanhol cumpra as suas leis e respeite os direitos das prisioneiras e os prisioneiros bascos que retém nos cárceres espanhóis.
O carácter significante, o carácter de "semente de futuro", o carácter de "facto portador de futuro" que tem este facto político e sociológico exige que se lhe dedique atençom.
Nom pudem participar na manifestaçom de Bilbau. Ineludíveis obrigas profissionais retivérom-me nessa tarde do Sábado num comboio que nom chegou à capital de Euskal Herria (a Iruñea) até as dez da noite. Mas logo que cheguei fum inundado polas copiosas e detalhadas explicaçons do que tinha acontecido em Bilbau. Relatadas boca-orelha por aqueles dos meus familiares que tinham estado e comunicadas por telefone por um variado elenco de amigos, camaradas e correspondentes.
Todas essas explicaçons, todos esses detalhes amontoárom-se e o seu caleidoscópioj fijo-me vívida a imagem do acontecido: o detalhe de que ao começar a andar a cabeça estava já cheia toda a rua Autonomia, o do colapso das entradas de Bilbau polas caravanes de viaturas e auto-carros, o da grande chuva que se precipito sobre os manifestantes depois de decorrido um quarto de hora de marcha, o de quem queria entrar na marcha detrás dos familiares de prisioneiros e que tivérom de ficar três quartos de hora no passeio porque a calçada estava ocupada apertadamente por umha enchente humana que nom deixava ocos, etc, etc.
Especialmente emotiva e luzidamente rotunda na sua orientaçom política foi a carta das Maes da Praça a Senideak. Lida por Carlos Aznárez, director de "RESUMEN LATINOAMERICANO" e membro da REDE BASCA VERMELHA, essa carta transmitiu a sua solidariedade aos familiares do prisioneiros políticos bascos.
"neste dia em que milhares e milhares de pessoas terám de se mobilizar por umha causa justa, que as presas e presos bascos tornem já à sua terra, à liberdade que merecem por serem autênticos, tam rebeldes, tam livres".
As Maes da Praça de Maio repetírom na sua carta que "A NÓS PARÍROM-NOS OS NOSSOS 30.000 FILHOS", que "ELES FIGÈROM-NOS REVOLUCIONÁRIAS" e que "a eles achamo-los todos os dias em cada um dos milhares de combatentes pola liberdade e a revoluçom no mundo. Eles estám também presentes nas ánsias de independência desse maravilhoso povo que vocês tam dignamente representam. Por isso é que aderimos a vocês e fazemos nossa a vossa palavra-de-ordem: EUSKAL PRESOAK EUSKAL HERRIRA".
Magnífico texto. Magnífica mensagem. Antes de comentá-lo, leiamos a igualmente lúcida e muito importante dada por Juan Antonio Madariaga em nome de Senideak. Constatou o amplo apoio social, político e sindical às reivindicaçons dos presos para, a seguir, advertir que:
"NOM É AVONDO, porque nom temos atingido que a vontade deste povo seja respeitada".
E avisou: "Nom há prazos para acabar com a peste que sacode o nosso povo. NOM PODEMOS CONFORMAR-NOS COM DIZER QUE A MAIORIA DA SOCIEDADE ESTÁ CONNOSCO. E NOM PODEMOS DEIXAR PERDER ESSA MAIORIA QUE TANTO NOS CUSTOU REUNIR. Nom podemos deixar que o affaire dos presos fique em segundo termo.
CUMPRE UMHA CONSCIENTIZAÇOM COLECTIVA que da responsabilidade dessa maioria social, política e sindical, trace o caminho para ultrapassar, com unhs objectivos concretos, todos os entraves. NOM HÁ MURALHA QUE FAGA FRENTE À VONTADE DE TODO UM POVO e essa é a nossa responsabilidade".
Convido a reler devagar, pensando-as, essas nítidas, lúcidas e claríssimas frases. E a repassar com igual atençom as seguintes em que Madariaga lembrou aos governos espanhol e francês e a quem nega os direitos dos presos que:
"estamos aqui porque estamos contra a tortura, contra as agressons e contra as malheiras, em contra do isolamento, a incomunicaçom e os impedimentos para viver em euskara, em contra da desasistência sanitária e a chantagem aos doentes, porque exigimos a liberdade imediata para os 122 presos que tenhem cumprido as três quartas partes da condena, e porque nos posicionamos contra o alonjamento".
Por isso tudo exigiu o fim da actual política penitenciária. "NOM ENTENDEMOS DE PRAZOS NEM DE CONTRAPARTIDAS DE QUALQUER GÉNERO".
Por quê esse choque? Porque é evidente que, de umha parte (a de Euskal Herria), coalha e alarga-se e solidifica dia a dia a vontade das bascas e os bascos de EXIGIR JÁ, AGORA, O RESPEITO AOS DIREITOS DOS PRISIONEIROS POLÍTICOS BASCOS.
Esse é o facto que evidenciou fisicamente a manifestaçom e que exprimiu com clareza Madariaga: temos a maioria política, sindical e social. MAS NOM É AVONDO.
Porque, de outra parte, Espanha nom respeita essa vontade maioritária dos bscos. QUE APENAS LHE PEDE QUE CUMPRA AS SUAS LEIS.
Ei-la, aí se mostra, aí nos ameaça a profunda miséria moral espanhola, a degeneraçom social e política espanhola, o envilecimento e encanalhamento dos seus líderes, das suas elites e as suas massas, a prolongaçom desvergonhada da corrupçom franquista e o desprezo fascista do Direito e da Lei polo Regime juancarlista, a persistência dos jeitos bestiais e torturadores dos militares espanhóis perjuros e sediciosos sublevados contra o governo legítimo da República.
O grave problema que se aproxima consiste em que Espanha e os espanhóis nom se inteiram do que está acontecendo em Euskal Herria. Nom se inteiram porque a corrupta matilha de políticos e jornalistas espanhóis falsificam a realidade. Esse miserável de Fernando Jáuregi chegou a referir-se à manifestaçom do Sábado falando de "o RELATIVO sucesso da manifestaçom em favor da liberdade dos presos "políticos" (assim é que os chamam) do passado Sábado em Bilbau".
Outro miserável, o director da ediçom do País Basco de EL MUNDO
del siglo veintiuno, mente na capa do Domingo cifrando na ridículo quantidade de 50.000 os manifestantes. Essa quantidade é a de umha manifestaçom muito importante mas é ridícula a respeito da realidade do Sábado. A patranha publica-se com a coarctada de atribuir a quantidade aos bem conhecidos falsários da Polícia Municipal de Bilbau.
Esse miserável director dá menos importáncia na sua capa a umha manifestaço de dezenas e dezenas e dezenas de milhares do que a umha polémica "fabricada" entre um bispo e um grupelho de pessoas manipuladas. (Mais abaixo hei-me de referir a essa "polémica").
E o quê dizer do conhecido campeom mundial de falsificaçons jornalísticas Luís Maria Ansón. Encaracola o caracol e dá em rebaixar ainda mais a mentira de EL MUNDO. Na página 15 de LA RAZÓN de Domingo di que "mais de trinta mil pessoas se manifestárom ontem em Bilbau exigindo a aproximaçom dos presos etarras".
O mais grave nom é, com sê-lo muito, o sucesso entre os espanhóis das mentiras com que alienam os seus políticos e jornalistas.
O grave é que a realidade basca é cada vez mais contraditória com os fantasmas, as fabulaçons e falsificaçons da realidade que o Governo de Espanha insiste em fazer passar por realidade.
Os espanhóis desconhecem destarte, por exemplo, que coalhou e se está a afiançar em Euskal Herria umha maioria política, sindical e social basca que afirma e EXIGE direitos que Espanha nega.
E assim as falsificaçons espanholas dos factos provocam situaçons esperpênticas. Nas emissoras de rádio espanhola escuita-se alienadas donas de casa e analfabetos funcionais espanhóis exigirem aos militantes de ETA e aos centos de milhares de bascas e bascos que os consideram os seus heróis QUE PIDAM PERDOM.
Perdom aos agredidos? Perdom aos que vinhérom assassinar, fusilar, torturar e massacrar por milhares durante SESSENTA E DOUS ANOS pais, irmaos, familiares e amigos? Perdom os que pegárom nas armas em legítima defesa do seu povo e das suas pessoas em contra do tirano, do genocida, do assassino múltiplo, do Ditador bestial e dos que prolongárom a sua sinistra tarefa?
QUEM TEM DE PEDIR PERDOM É ESPANHA, som os espanhóis, som os seus militares e polícias e guardas civis bestiais, torturadores e assassinos, os seus juízes e fiscais e médicos forenses que amparárom e amparam, protegêrom e protegem os torturadores, os seus funcionários ladrons e corruptos, os seus curas e bispos e arcebispos e cardeais canalhas que abençoárom e alentárom os assassinos assegurando-lhes que estavam a fazer umha CRUZADA.
Às desgraçadas, alienadas e envilecidas massas espanholas o seu Governo mente-lhes. Di-lhes que derrotou ETA e que nom vai negociar nada. Que o problema se acabou com umha vitória militar espanhola. E que Espanha nom vai dar nada pola paz. Que a paz é dada de graça a Espanha pola sua firmeza e o acerto do seu Governo. Que aos bascos nom há que dar-lhes nada. E que os presos vam apodrecer nas cadeias até a misericórdia espanhola dicidir num futuro i-los libertando, se assim o decidir. Que pode nom fazê-lo.
É demencial. Mas é assim.
Naturalmente, essa demencial postura espanhola agoira um choque muito duro. Quando a maioria política, social e sindical basca comece a FAZER COUSAS a que tem direito PRESCINDINDO DO GOVERNO DE ESPANHA. Ignorando-o. Como se nom existisse.
A Assembleia Nacional de HB culminou o processo de discussom polas bases do documento LINHAS DE TRABALHO 1998-99. Aprovando-o.
E, após essa reuniom e essa aprovaçom, Arnaldo Otegi assegurou que Herri Batasuna tomará parte no órgao executivo, QUE ELE CHAMOU "GOVERNO PROVISÓRIO" que surja da ASSEMBLEIA DE CONCELHOS BASCOS, que com carácter nacional se constituirá num prazo "RELATIVAMENTE CURTO".
Arnaldo Otegi e outro porta-voz da Mesa Nacional de Herri Batasuna (Joseba Permach) dérom umha conferência de imprensa no Sábado para expor os resultados da Assembleia Nacional de HB. Joseba informou de que TODA a militáncia respalda a linha política mantida e que, ante a encruzilhada histórica que vivemos "reitera o seu compromisso de realizar um labor de motor e adoptar os compromisso para que Euskal Herria vaia avante mediante umha aposta pola soberania".
Otegi reiterou que HB está disposta a "adquirir compromissos institucionais" sempre que se "nom se trate de reproduzir o actual quadro de divisom territorial e se encarreirem a trabalhar na consecuçom de um quadro de soberania e territorialidade para o nosso país". Afirmando que esse é o compromisso que está sobre a mesa do PNB, EA e IU.
Literalmente Arzalluz dixo que "já nom tenho medo de que vaiamos ao vazio" (com um Governo em minoria PNB-EA) porque "estes (Euskal Herritarrok) vam a sério".
Arzalluz falava em Sukarrieta nos actos de homenagem a Sabino Arana (em 25 de Novembro cumpriram-se 95 anos da morte do fundador do PNB). Era um Arzalluz descontraído. Que falou com inusitados tons de respeito e louvor ao referir-se a umha militante de HB. Lembrou que no Parlamento de Gasteiz "no outro dia estava ao pé de Atutxa UMHA MULHER BASCA PATRIOTA que estivera ao lado dos que levárom as pistolas". Referia-se à vice-presidenta Segunda do Parlamento de Gasteiz, Raquel Peña, deputada por Euskal Herritarrok.
Segundos antes tinha feito referência ao Evangelho do dia anterior e a como nele se dizia "que em Israel queriam mudar as espadas em arados e as lanças em guadanhas" e que, segundo Arzalluz, "ESSA É A FINALIDADE QUE NESTE MOMENTO TEMOS".
Arzalluz também sublinhou, comparando com as gentes do Partido Socialista de Euskadi-PSOE, que "anda a dizer que quer entrar (no governo da CAV). Di que som bascos". Arzalluz pontualizou que "nós somos bascos de outra maneira. Papel que lhes dá o PNB tem que passar pola alfándega de Madrid. A NÓS NINGUÉM NOS DÁ ORDENS DESDE FORA. POLITICAMENTE ESSA É A DIFERENÇA DE SERMOS BASCOS OU NOM".
Por quê? Pois porque Cossiga tinha qualificado dura mas precisamente a política penitenciária espanhola. Tinha dito que A DISPERSOM É TORTURA. Que a dispersom é vingança. Ilegal, ilegítima.
Espanha oculta, silencia os estrangeiros ilustres que denunciam a tortura espanhola aos bascos. O terrível problema é que, enquanto Espanha mente e oculta assim o que fai, espanhóis bestiais continuam a torturar bascas e bascos. Durante toda a semana soubemos os terríveis detalhes das torturas que os guardas civis descarregárom em 1992 sobre os corpos de Juan Ramon Rojo, Paco Palacios e Xabier Arriaga.
Soubemos tal porque na Audiência Provincial de Biscaia principiou na Segunda-feira o juízo por essas torturas. MAS AS TORTURAS CONTINUAM A PRODUZIR-SE AGORA.
Na Quarta-feira, a Coordenadora de Solidariedade com as Pessoas Presas informou em Madrid de que 75 presos denunciárom terem sido torturados por carcereiros. Denunciárom-no perante julgados de instrucçom no que vai corrido deste ano 1998.
Na passada Segunda-feira 23, Lurde Txurruca, encarcerada em Soto del Real, foi rodeada num calabouço por guarda civis. Um berrou-lhe que nom sairia viva dali e deu em golpear-lhe e empurrá-la umha e outra vez contra a parede. Lurde era erguida puxando das algemas que aferrolhavam as suas maos. Sabê-lo aumenta o nosso carinho por Lurdes e o nosso ódio imenso aos seus torturadores.
O que se passa é que Espanha continua HOJE a fazer a sua GUERRA SUJA a Euskal Herria.
Mas nom vencerá. O povo basco nom pode ser vencido assim.
Mas ainda temos entre nós, contra nós, umha força iníqua. Para descrevê-la copio cá os versos de um poeta espanhol assassinado pola Espanha preta. Ei-lo, de Federico Garcia Lorca, o
ROMANÇO DA GUARDA CIVIL ESPANHOL
Os acavalos pretos som,
As ferraduras som pretas.
Sobre as capas reluzem
ódoas de tinta e de cera.
Tenhem, por isso nom choram,
de chumbo as caveiras.
Com a alma de charom
venhem pola estrada.
Corcovados e nocturnos,
ondequer animam ordenam
silêncios de borracha escura
e medos de fina areia.
Passam, se quigerem passar,
e ocultam na cabeça
umha vaga astronomia
de pistolas inconcretas.
Ó cidade dos ciganos!
Nos cantos, bandeiras.
A lua e a cabaça
com as guinjas em conserva.
Ó cidade dos ciganos!
Cidade de dor e almiscar,
com as torres de canela.
Quando chegava a noite,
noite que noite noiteira,
os ciganos nas suas fráguas
forjavam sóis e setas.
Um cavalo malferido
tocaba em todas as portas.
Galos de vidro contavam
por Xerez de la Frontera.
O vento vira despido
no canto da surpresa,
na noite platinoite,
noite que noite noiteira.XX
A Virgem e Sam José
perdêrom as suas castanholas,
e procuram os ciganos
para verem se as encontram.
A Virgem vem vestida
com um traja de alcaidesa,
de papel de chocolate
com os colares de amêndoas.
Sam José mexe os braços
sob umha capa de seda.
Detrás vai Pedro Domecq
com três sultáns da Pérsia.
A meia lua sonhava
um êxtase de cegonha.
Estandartes e candieiros
invadem as açoteias.
Polos espelhos soluçam
bailarinas sem quadris.
Água e sombra, sombra e água
por Xerez de la Frontera.XX
Ó cidade dos ciganos!
Nos cantos, bandeiras.
Apaga as tuas verde luzes
que vem a benemérita.
XX
Ó cidade dos ciganos!
Quem te viu e nom te lembra?
Deixade-a longe do mar,
sem pentes para as suas crechas.
Avançam de dous em fundo
à codade da festa.
Um rumor de sempre-vivas
invade as cartucheiras.
Avançam de dous em fundo.
Duplo nocturno de tela.
O céu semelha-lhes
umha vitrina de esporas.
XX
A cidade, livre de medo,
multiplicava as suas portas.
Quarenta guardas civis
entrárom a rachar por elas.
Os relógios parárom,
e o conhaque das garrafas
disfarçou-se de Novembro
para nom infundir suspeitas.
Um voo de berros longos
alçou-se nas ventoinhas.
Os sabres cortam as brisas
que as unhas atropelam.
Polas ruas de penumbra
fogem as ciganas velhas
com os cavalos dormidos
e as orças de moeda.
Polas ruas empinadas
sobem as capas sinistras,
deixando atrás fugazes
remoinhos de tesoiras.No portal de Belém
os ciganos congregavam-se.
Sam José, cheio de feridas,
amortalha umha doncela.
Teimudos fusis agudos
por toda a noite soam.
A Virgem cura as crianças
com salivinha de estrela.
Mas a Guarda Civil
avança semeando fogueiras
donde jovem e despida
a imaginaçom se queima.
Rosa a dos Cambórios
geme sentada na sua porta
com os dous peitos cortados
postos numha bandeja.
E outras garotas corriam
perseguids polas suas tranças;
num ar onde estam
rosas de pólvora preta.
Quando todos os telhados
eram sulcos na terra,
a alva abalou os seus ombros
no longo perfil de pedra.
XX
Ó, cidade dos ciganos!
A Guarda Civil alonja-se
por um túnel de silêncio
enquanto as chamas te cercam.
Ó, cidade dos ciganos!
Quem te viu e nom te lembra?
Que te procurem na minha testa
Jogo de lua e areia
Ontem Domingo, houvo umha outra prova disto. Lembra quem me lê o fascista fechamento do jornal EGIN durante o passado mês de Julho? O juiz Baltasar Garzon foi naquela altura o instrumento do Governo espanhol. Cujo presidente pressumiu impudicamente de que fora o seu governo o que SE ATREVEU A FECHAR EGIN.
O ministro do Interior Mayor Oreja agiu como insólito porta-voz do juiz Garzon, explicando o fechamento.
Bem. Pois no Domingo 29 de Novembro anunciou-se o nome (Euskal Herriko Egunkaria GARA) e a data (janeiro 1999) da apariçom do diário que vai substituir EGIN e o substituto de EGIN (Euskadi información). Graças a que o povo basco reuniu mil milhons de pesetas.
O Governo espanhol deveria mostrar a bandeira branca. Face a um inimigo assim está vencido.
Justo de la Cueva
![]() |